Ao acordar os olhos falavam mais que a boca, já gozavam lágrimas, uma e outra que acendera em volta de minha face embriagada. Os riscos da pele eram crateras imensas que secavam as gotas agridoces incandescentes e saudosas dos olhos. Vinha-me uma voz seguida de ar quente dizer bom dia, as gotas flamejantes embaçavam estas mãos que tocavam-me o rosto e beijava-me paulatinamente. Não era nada e nem ninguém, apenas eu no delírio catastrófico da solidão. Assim devem sentir-se àqueles que amam e sentem mais ausência do que amor. Um cigarro não bastaria para secar-me os lábios à vontade de um beijo molhado, não me acalmaria uma ânsia louca de ter meu amor, com doses de uísque. Não me sentiria fértil nem mesmo embalsamado por conhaque e regado a orgias. Mas assim foi a cama o esteio de tamanha impaciência, o lençol arremessado ao chão, o travesseiro deixara de apoiar a cabeça para calar-me os dentes que rangiam furiosamente, a roupa suava e evaporava, uma estima extasiada tomava-me como se realmente suas mãos deliravam em meu corpo. Mas nada era verdade. Apenas a cama só, eu só, nós só.
Hoje a chuva cai tão forte que faz doer as pétalas de flores, daqui da janela vejo uma insistente florzinha rosa equilibrar-se no galho, porém gotas não medem suas forças e a empurra incessantemente. O vento empurra a água que corre no chão, leva consigo as folhas que choraram das árvores, os telhados pingam, cachorros latem e correm da água que vem do céu. Vão pessoas correndo, roupas ensopadas e cabelos compactados. Chove tanto que nem ouço o palpitar do meu coração, chove tanto que nem mais ouço os latidos dos cachorros, chove tanto que já não há mais ninguém na rua e de tanto que chove não mais vejo a florzinha rosa presa ao galho. Tão cinza está o céu, agitado ficou o mar que bate à beira da estrada, as orquídeas bebem a água que escorre pelo tronco das árvores e provavelmente os sabiás e bem-te-vis não sentarão aqui em minha janela para conversarmos. Ainda há uma certeza que me faz pedir para que cesse esta chuvarada, meu amor não virá calar os raios, não me dirá bom dia e nem correrá no molhado comigo. Sairei, portanto só, pisando nas poças e sujando o branco do tênis, nem ligarei se os carros passarem e molharem-me todo, que mais pesado de lágrima está meu coração. Eu queria mesmo é que aquele sono viesse pesar-me os olhos, voltar, quem sabe, à mentira do amor que realmente não passara jamais de um sonho, beijar-me e acariciar-me com as próprias mãos pensando que um amor tocara-me como paixão e sabor, que sua língua sugara a inocência que sempre aguardou para morrer no prazer, mas já basta a virtualidade deste romance, agora não posso permitir o amor só no sonho, há um amor carnal e que possa tocar-me e olhar-me, sei que há.
Hoje a chuva cai tão forte que faz doer as pétalas de flores, daqui da janela vejo uma insistente florzinha rosa equilibrar-se no galho, porém gotas não medem suas forças e a empurra incessantemente. O vento empurra a água que corre no chão, leva consigo as folhas que choraram das árvores, os telhados pingam, cachorros latem e correm da água que vem do céu. Vão pessoas correndo, roupas ensopadas e cabelos compactados. Chove tanto que nem ouço o palpitar do meu coração, chove tanto que nem mais ouço os latidos dos cachorros, chove tanto que já não há mais ninguém na rua e de tanto que chove não mais vejo a florzinha rosa presa ao galho. Tão cinza está o céu, agitado ficou o mar que bate à beira da estrada, as orquídeas bebem a água que escorre pelo tronco das árvores e provavelmente os sabiás e bem-te-vis não sentarão aqui em minha janela para conversarmos. Ainda há uma certeza que me faz pedir para que cesse esta chuvarada, meu amor não virá calar os raios, não me dirá bom dia e nem correrá no molhado comigo. Sairei, portanto só, pisando nas poças e sujando o branco do tênis, nem ligarei se os carros passarem e molharem-me todo, que mais pesado de lágrima está meu coração. Eu queria mesmo é que aquele sono viesse pesar-me os olhos, voltar, quem sabe, à mentira do amor que realmente não passara jamais de um sonho, beijar-me e acariciar-me com as próprias mãos pensando que um amor tocara-me como paixão e sabor, que sua língua sugara a inocência que sempre aguardou para morrer no prazer, mas já basta a virtualidade deste romance, agora não posso permitir o amor só no sonho, há um amor carnal e que possa tocar-me e olhar-me, sei que há.