Daqui não vejo nada, posto que estou frigido, esbranquiçado, com um nó me partindo o meio do corpo. Talvez seja raiva, ou talvez eu nem saiba explicar o que é. Não posso nem tomar um copo de água, nem de cachaça e nem de nada. Somente da espera, da esperança ou desesperança. Tudo aqui é de uma cor só. Os gritos abafam-se e morrem nas paredes frias, não há tacos no chão nem buracos de fuga. O vento faz inveja lá fora, nem sei bem como é lá fora. Música, só a que eu canto. Susto, de mim mesmo. Dor, quando me bato. Sorriso, se uma formiga me faz cócegas a noite. Nem sei de onde ela vem. Choro se lembrar-me do amor. Mas que amor há aqui? Até mesmo por mim já não sinto mais nada. Nem zelo nem nada. Ficarei por estas bandas esperando morrer não sei de que, pois a velhice não sei quando vem, esqueci de quanto tempo estou vivendo, e nem sei mais o que é vida. A minha é essa aqui, só não sei bem explicar. Nem sei bem como é uma casa. Corbusier disse-me que casa é uma máquina de morar, aqui é centrífuga, não é nenhuma arte, só as que desenho na parede. Faço terrores e amores. Colagens de letras de revistas, palavras cruzadas me atormentavam antes de dormir. Mas já não há mais isso aqui. As paredes estão tomadas de letras, erros ortográficos, palavrões e desenhos. Porque da vida sei desenhar. Mas é difícil falar.
Soube que os políticos estão se lançando para as próximas eleições de presidente. O carisma de Lula não conseguiu eleger tantos prefeitos para a estrela que está pifando no lado esquerdo do céu de mísseis. Que a dona Dilma está já se maquiando para seus longos discursos e caricias às câmeras de tv. Queria vê-la de papo com o Obama, vê-la peitar os problemas deste chão, pisar nas terras inférteis, sustentar a economia. Ao menos isso vazou para cá. Também não estou só no silêncio. Até mesmo os tatus conseguem roer a terra, os defuntos comerem as raízes, assim eu também posso rir e chorar dos desesperos que cultivam o País. Essas notícias são uma crescente embriaguez, mesmo sem colocar uma gota de álcool na boca. Por isso o presidente bebe caramba. Mas eu não vou renunciar a nada, nem a mim. Eu quero é estar assim. Aqui mesmo. Já me conformei, estou como grande parte dos brasileiros, conformado. É como o homem que beija a mulher meia noite e ainda a deseja bom trabalho, quando o tonto está sendo chifrado.
Ela diz: Amor vou trabalhar, hoje minha escala no hospital é até amanhã cedo.
Ele responde com um beijinho: Claro meu amor, bom trabalho!
E faz cara de sono.
Mas que imbecilidade. Assim vem acontecendo na política. As pessoas parecem não ver a capoeira que vem arrastando poeira pelo terreiro. As mulheres gritaram tanto que está aí a candidata do milênio. Será que também merece Romanée-conti, pois em 2002 brindaram aquilo que já se previa. As estrelas estão pingando do céu e mesmo assim ainda caem sentadas no palanque. Já perdi as contas de quantos petardos nosso digníssimo retirante disse, sei que já passaram de 13. É este é o número deles, 13. Por isso eu não quero mais dar opinião em nada. Aqui dentro fico rabiscando o Brasil. O dia que me deixarem sair daqui vou parecer o cão que tem medo da rua. Um pato com frio. Viver neste lugar é sombrio. Cabem vários corpos juntos ao meu, mas não colocam com medo de dar briga. Que nem as que acontecem aí fora. Passei esse texto por debaixo da frestinha que há na porta, quase que não coube a folha. Mas ela passou e riscou o chão. Agora vou terminar de reconstruir Guernica, faltam algumas casinhas. O dia que me tirarem daqui eu a coloco no chão. Deixe-me neste hospício, grudado nas telas brancas do som que não propaga, no eco que não se espalha, da visão que não vai longe e do barulho que sussurra muito baixo. Estou melhor neste hospício do que no sanatório ai de fora.
Soube que os políticos estão se lançando para as próximas eleições de presidente. O carisma de Lula não conseguiu eleger tantos prefeitos para a estrela que está pifando no lado esquerdo do céu de mísseis. Que a dona Dilma está já se maquiando para seus longos discursos e caricias às câmeras de tv. Queria vê-la de papo com o Obama, vê-la peitar os problemas deste chão, pisar nas terras inférteis, sustentar a economia. Ao menos isso vazou para cá. Também não estou só no silêncio. Até mesmo os tatus conseguem roer a terra, os defuntos comerem as raízes, assim eu também posso rir e chorar dos desesperos que cultivam o País. Essas notícias são uma crescente embriaguez, mesmo sem colocar uma gota de álcool na boca. Por isso o presidente bebe caramba. Mas eu não vou renunciar a nada, nem a mim. Eu quero é estar assim. Aqui mesmo. Já me conformei, estou como grande parte dos brasileiros, conformado. É como o homem que beija a mulher meia noite e ainda a deseja bom trabalho, quando o tonto está sendo chifrado.
Ela diz: Amor vou trabalhar, hoje minha escala no hospital é até amanhã cedo.
Ele responde com um beijinho: Claro meu amor, bom trabalho!
E faz cara de sono.
Mas que imbecilidade. Assim vem acontecendo na política. As pessoas parecem não ver a capoeira que vem arrastando poeira pelo terreiro. As mulheres gritaram tanto que está aí a candidata do milênio. Será que também merece Romanée-conti, pois em 2002 brindaram aquilo que já se previa. As estrelas estão pingando do céu e mesmo assim ainda caem sentadas no palanque. Já perdi as contas de quantos petardos nosso digníssimo retirante disse, sei que já passaram de 13. É este é o número deles, 13. Por isso eu não quero mais dar opinião em nada. Aqui dentro fico rabiscando o Brasil. O dia que me deixarem sair daqui vou parecer o cão que tem medo da rua. Um pato com frio. Viver neste lugar é sombrio. Cabem vários corpos juntos ao meu, mas não colocam com medo de dar briga. Que nem as que acontecem aí fora. Passei esse texto por debaixo da frestinha que há na porta, quase que não coube a folha. Mas ela passou e riscou o chão. Agora vou terminar de reconstruir Guernica, faltam algumas casinhas. O dia que me tirarem daqui eu a coloco no chão. Deixe-me neste hospício, grudado nas telas brancas do som que não propaga, no eco que não se espalha, da visão que não vai longe e do barulho que sussurra muito baixo. Estou melhor neste hospício do que no sanatório ai de fora.
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